domingo, 11 de janeiro de 2009

sonho de uma noite de verão.


A sorte sorriu para mim. Para falar a verdade, gargalhou, rolando sem fôlego pelo chão. Lágrimas de felicidade escorriam pela face ruborizada de quem não consegue estancar a alegria por um segundo sequer. Com o milagre nas mãos decidi colocar em prática os projetos há tanto acalentados. Difícil foi conter a ansiedade. E como foi... Uma digna luta de um Davi contra um Golias. A vontade era tanta de jogar tudo para o alto de uma vez que foi preciso laçar a razão e prendê-la. “Calma, leão!”, pensei num átimo. Mas Davi venceu. Com ela no comando – a razão – lá fui eu à luta. Sentia-me como uma poderosa divisão blindada, em pleno deserto, avançando célere sem a menor possibilidade de ser fustigado. Era como se eu fosse uma blitzkrieg em larga escala. E “ai” dos inimigos que tentassem algo contra mim, com seus míseros canhõezinhos! Seriam destruídos, esmagados, sem dó nem piedade: carne e ossos pendendo dos elos das lagartas dos meus tanques. Nenhuma força terrestre poderia me parar naquele momento. A caravana de guerra passaria de qualquer modo, apesar dos cães e de seus latidos roucos. Pois que continuei investindo contra os meus alvos: um de cada vez. De imediato, paguei tudo o que devia e mandei os cobradores à merda. Depois, girei o ataque para os flancos e mandei minha profissão para o espaço. Partiram-se as correntes, desabaram-se os muros: o que se via, agora, era o horizonte desimpedido à frente. Era hora de dar o grande salto! Plano na mão, recursos à disposição, vontade no coração: um trinômio inquebrantável. Preparei-me para uma ofensiva ainda maior. Uma vez pronto, parti. Fui morar à beira-mar, deixando para trás a porcaria de Minas. Montei meu negócio, virei romancista e abusei da qualidade de vida. Minha família estava feliz agora; como eu ali, em pé na praia, descalço, braços tatuados, observando maravilhado o pôr-do-sol em matizes de vermelho e dourado enquanto rolava um reggae em algum quiosque distante. De súbito, porém, a música mudou... Meu celular vibrou, assim como o universo ao redor. Tateando, olhos semicerrados de sono, apanhei o telefone sobre o criado-mudo. "Seis e meia da manhã???" O cordão umbilical entre sonho e realidade rompera-se com o alarme. “Diabos!" Levantei-me indignado. "Até quando?" Mas a esperança veio a galope e não me deixou desanimar. "Quem sabe um dia? Quem sabe?" Afinal, tudo é possível para os que creem.

Um comentário:

  1. Belo texto meu caro. Sonhar faz parte da vida, é o que nos alimenta, é a gasolina do dia-a-dia. Quantas vezes já imaginei algo parecido com isso, mas o desprazer da realidade sempre me acordou. Também continuo sonhando totonho, porque sou bem mais feliz assim.

    Abração e parabéns pelo blog que está a cada dia melhor.

    Ícaro Vieira

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