sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

o burro e a vaca de presépio.


Nesta época do ano, as pessoas costumam enfeitar as casas, os escritórios, as fábricas e as igrejas com árvores de Natal de diversos tamanhos, ricamente adornadas ou não. É até um espetáculo bonito, principalmente quando estes enfeites ocupam as fachadas das casas ou chegam às ruas das cidades, iluminando as noites. Não vou entrar, aqui, no mérito se isto tudo cheira à falsidade ou não. Cada um que examine sua consciência e faça o melhor para si. É o que importa. Mas além da árvore de Natal, e dos papais-noéis que dançam tocando saxofone, em vários destes lugares a gente se depara com uma tradição que vem morrendo ao longo dos tempos: o presépio. Todo mundo, algum dia, já viu e admirou um. É fato. Dia desses, fui à Igreja de Santo Antônio para assistir à missa dominical e vi um enorme, montado logo na entrada. Lá estava a manjedoura, cheia de palha, com uma estrela armada sobre o teto, parecendo um cometa; imagens de dois anjos com asinhas e tudo; os três Reis Magos; Maria, José e o menino Jesus, de braços abertos; e os animais do estábulo: um camelo, uma ovelha, o burro e a vaca. Bom... tirando a ovelha e o camelo (deveria ser, na verdade, um dromedário e não um camelo; mas tudo bem), me deparei observando aquela vaquinha branca lá no canto direito do "palco armado". Lembrei imediatamente da expressão "vaca de presépio". Alguém já ouviu? Dizem algumas pessoas que seu significado remonta à época dos nossos avós e bisavós; lá atrás, quando ainda se "amarrava cachorro com linguiça". Opa... já misturei cachorro aos outros animais do presépio. Taí! Deveria era ter um cachorro no presépio: pelo menos seria mais fiel ao Senhor. Afinal, o cão é o melhor amigo do homem... Mas, voltando ao assunto, em algumas igrejas (contam os antigos) as vacas tinham a função do nosso cofre "porquinho" (mais um bicho, anota aí). Essas vacas balançavam a cabeça em sinal de agradecimento quando se despositava, numa fenda localizada no lombo de porcelana, uma moedinha qualquer. Enfim: era só botar dinheiro que meneavam "satisfeitas". É... e tem muita gente por aí que é assim, viu? Muita mesmo! As "vacas de presépio" sobram, apesar do pobre do presépio estar em franca decadência, em desuso. É gente que não tem opinião própria, que concorda com tudo (principalmente se os outros que falam são os chefes). É comum ver esta espécie de lacaio proliferar no ambiente de trabalho, por exemplo. Geralmente, são os incompetentes que, por essa razão mesmo, resolvem puxar o saco dos poderosos, a fim de manter o "precioso" emprego ou cargo. Ficam lá no canto polindo as botas dos seus senhores; ou então grudam, tal como rêmoras no tubarão, e se alimentam alegremente dos restos, satisfeitos, lambendo os beiços e limpando a boca suja com as costas das mãos. É a escória da humanidade! E vendo aquele lindo presépio lá na igreja fitei, também, o burro de plástico e me lembrei de outra história. Certa vez, um cara sem a menor dignidade disse ao meu pai que quem não puxa-saco, puxa carroça. É... então eu sou um asno de marca maior. Um jumento Pêga. Talvez, se eu fosse um bajulador, minha situação profissional e financeira fosse melhor. É provável... Mas eu não sei me sujeitar a este tipo de coisa. Só sei que o burro e a vaca estarão sempre lá, lado a lado no presépio armado, dividindo o mesmo estábulo, comendo o mesmo feno e assistindo a tudo como figurantes, compondo o mesmo enredo: uma digna cena de presepada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário