
Yom Kippur: o dia do perdão. Para começo de conversa, não tenho a menor intenção aqui de falar sobre esse momento religioso importante do povo hebreu, até porque eu não sou judeu, embora alguém, em algum momento lá atrás em minha história de vida, me disse que eu tenho lá minhas raízes escondidas em algum ponto da Península Ibérica há uns, sei lá, 400 ou 500 anos. Não importa. Muito menos vou entrar no mérito militar e abordar a guerra árabe-israelense de 1973 que se iniciou nessa data; com mais uma derrota humilhante dos árabes. Não se trata de nada disso, lhe asseguro. Quero falar de perdão! E eu não comecei com o Yom Kippur por acaso. Não há quem no mundo, a não ser os nazistas, os muçulmanos mais radicais e uns idiotas de plantão, que negue o holocausto e todo o pavor e vergonha aplicados a ele. É um momento da história para, ao mesmo tempo, ser lembrado e esquecido. O problema é que isto virou uma espécie de discurso (político, talvez?) interminável que gera inúmeros livros, exposições e filmes que revelam todo o terror vivido pelos homens, mulheres e crianças judias nos campos de concentração e nas beiradas das valas comuns espalhadas, sobretudo, na Europa Oriental, Rússia e Ucrânia. O resultado prático é a ruminação constante da barbárie cometida por um bando de imbecis, há 70 anos, que obriga todo um povo, anualmente, a vestir o manto da culpa e da vergonha e pedir, mais uma vez, perdão. Refiro-me aos alemães. Até quando esta geração e as gerações futuras da Alemanha democrática, plural e liberal, terão de render desculpas e mais desculpas pelo o que seus avós, bisavós e tataravós fizeram em um momento conturbado da Europa dos anos 30 e 40 do Século XX? O que esses meninos e meninas, homens e mulheres do pós-guerra, do pós-Muro de Berlim, têm a ver com isso? Para que tanta auto-humilhação e imolação? A quem isto serve de fato? Os alemães de hoje conhecem muito bem o seu passado negro, não é necessário lembrá-los disso a todo instante. Afinal, já não foram feitos inúmeros pedidos de perdão? Serão ainda poucos? Onde está o perdão verdadeiro? A Alemanha de hoje nada tem a ver com a Alemanha Hitlerista. Ponto! São outros tempos... O mesmo se dá aqui no Brasil. Séculos de escravidão, humilhação, crimes e sordidez plena contribuíram para o surgimento de um racismo com duas vertentes: branca e negra. Tempos atrás, uma revista revelou uma pesquisa impressionante: mais de 90% dos brasileiros possuíam algum tipo de racismo. Bem, se a maioria da nossa população é composta por negros e mestiços, segundo o IBGE, então só corrobora o fato de que estas mesmas etnias também desenvolveram seu racismo ao contrário. É tão claro como dois mais dois dão quatro! E daí surgem os antagonismos. Se um negro (ou afrodescendente, como queira) veste uma camiseta com os dizeres "100% negro", isto significará orgulho aos olhos dos outros. Mas se um branco, que nada tem a ver com o que os seus antepassados fizeram há 300 anos, resolver vestir uma mesma camiseta com os dizeres "100% branco" será tratado imediatamente como nazista. Estranho. É como se todos os brancos até o começo do Século XX tivessem uma clara ligação com a escravidão, verdadeiros Senhores de Engenho. E como ficam os imigrantes do período pós-abolição? Ora, o sujeito pode ser neto ou bisneto de imigrantes poloneses, alemães, ucranianos; ou seja, de fato branco. Ele não pode se sentir orgulhoso de sua raça? Por que para uns é orgulho e para outros é crime? É a inversão de "papéis" que deveremos aceitar calados doravante, a fim de "expiar" pecados? Até quando os brancos daqui terão de pedir perdão? Ou terão de se sentir culpados? Tal qual na Alemanha, vivemos uma outra época. E o melhor caminho para combater o racismo é a educação; e não é enfiando por lei na universidade os negros, mulatos, mamelucos, cafuzos e índios unicamente por sua cor de pele. Não! Isto é política rasteira de quem não quer, de fato, mexer no vespeiro. É demagogia da grossa para os trouxas verem e engolirem. A melhor educação do planeta, hoje, está na Coreia do Sul. Mas há 60 anos, de cada cinco sulcoreanos, três eram analfabetos. Foi preciso, via Constituição Federal, estabelecer um percentual do PIB do país a ser investido anualmente naquele setor. Isto levou 30, 40 anos para dar resultados, mas deu. Assim será no Brasil, se quisermos, para dentro de algumas décadas negros, brancos, índios e mestiços disputarem em condições de igualdade educação e empregos melhores. Utopia? Não! Por que funcionou para a Coreia do Sul arrasada por uma guerra entre irmãos, dividida, e não pode funcionar para nós? Se o assunto é perdão, vamos lá, então temos de pedir perdão aos índios por tomarmos suas terras e arrasado suas culturas (obras dos jesuítas e dos latifundiários); não só aqui no Brasil, mas em todo o mundo (uma orelha de um índio Comanche valia, nos EUA do Século XIX, trinta dólares). Temos de pedir perdão aos paraguaios por termos destruído sua fantástica capacidade industrial, dizimado sua população e seu país no Século XIX transformando-os, hoje, no que são. Temos de pedir perdão aos muçulmanos pelas barbáries cristãs cometidas nas várias Cruzadas, que de libertação da Terra Santa nada tinham: eram expedições de saque e massacre, "em nome de Deus". Talvez por isso que alguns árabes, palestinos e persas, vulgos terroristas islâmicos, nos detestem a ponto de jogarem aviões cheios de gente contra prédios ou explodirem bombas atadas em seus corpos contra multidões de "infiéis"; tudo também "em nome de Deus" (Alá)... Temos de pedir perdão aos africanos por dividirmos seus territórios, no período imperialista europeu, e criado "países" (colônias) sem levar em consideração tribos e etnias (daí os constantes genocídios no Congo que vemos nos noticiários de TV). Se é para perdoar, que se perdoe de uma vez por todas. Ou então, que sejamos partidários do perdoe, mas não esqueça. Mas sem hipocrisia!
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