
Sou aficcionado por filmes de guerra. Não que eu aprecie sangue jorrando em profusão ou vísceras expostas e coleantes; nada disso, definitivamente. Mas por que a guerra é, sem sombra de dúvida, o ponto mais alto e estúpido a que chega a humanidade e o filme, quando é de fato bom, procura retratar a realidade cruel dos combates e os conflitos internos por que passam todos os envolvidos, sejam eles militares ou civis. Por isso, não é qualquer película que me agrada. Como em tudo no cinema, assim como na vida, há coisas aprazíveis e desprezíveis. Eu tenho ojeriza por produções que despencam para a pieguice, que tratam o inimigo como um criminoso desprovido de sentimentos, que separam os contendores em duas categorias bastante distintas (mocinhos e bandidos), que valorizam o "guerreiro da justiça" e o "herói" em detrimento do "covarde", que colocam em evidência o ponto de vista de quem ganhou a batalha ou a guerra, que exploram a crueldade do perdedor e ocultam a do vencedor, que enfiam goela abaixo do espectador inverdades e reconstituição histórica medíocre. Cansei de ver filmes que trafegam nas vias acima. Sabe aqueles em que a munição do "mocinho" nunca acaba, ou que os inimigos são uns retardados e morrem às dezenas, ou que o tanque alemão que eles dizem lá ser um "Tigre" é na verdade um modelo americano M47 do pós-guerra? Pois é... Sou chato mesmo quando escolho um filme deste gênero para assistir. E, por isso mesmo, fiz uma lista das 11 melhores produções cinematográficas que já tive o prazer de ver até hoje, não necessariamente na ordem:
1- Balada do Soldado (produção soviética com olhar stalinista);
2- Cruz de Ferro (com James Coburn e Maximillian Shell, do diretor Sam Peckinpah);
3- O Resgate do Soldado Ryan (embora piegas, possui excelente produção e os minutos iniciais são os melhores do filme);
4- Círculo de Fogo (com Jude Law interpretando um famoso sniper soviético. A história se baseia na lenda de um embate entre franco-atiradores alemão e russo na batalha de Stalingrado);
5- 9º Pelotão (filme russo, cujo pano de fundo é a invasão soviética do Afeganistão. O nome, na verdade, é 9ª Companhia, mas aqui ninguém sabe diferenciar pelotão de companhia, de batalhão, de brigada...);
6- Irmandade da Guerra (produção sul-coreana abordando a Guerra da Coréia);
7- A Queda (os últimos dias de Hitler, baseado no livro de sua secretária pessoal);
8- O barco (outra produção alemã fantástica sobre os tripulantes de um submarino no Atlântico);
9- Stalingrado (mais um filme alemão, produzido em 1993. O ponto de vista de quem perdeu a guerra);
10 - Sem Novidades no Front (Belíssimo! Belíssimo!);
10 - Sem Novidades no Front (Belíssimo! Belíssimo!);
11- Band of Brothers (não é um filme, mas uma série em 10 episódios que passou na HBO, em 2001. Simplesmente maravilhosa).
Band of Brothers, no meu entender, é a melhor produção do cinema sobre a Segunda Guerra Mundial. Embora americana, co-produzida por Tom Hanks e Spielberg, ela foge do intuito de enaltecer à enésima potência o pracinha americano na luta contra as hordas nazistas. A história é verídica, baseada em um livro de mesmo título, e fala das experiências de um grupo de soldados de uma unidade pára-quedista que combateu na Europa, em 1944/45. Reconstituição perfeita, enredo cativante, atores de primeira: tudo conspirando a favor.
Agora, o mais interessante, é a lição que o filme passa e que está lá nas entrelinhas. A lição de como ser um líder e de como se deve trabalhar em equipe. Em um mundo onde os chefes reinam, onde o egoísmo às vezes é tido como fundamental para o crescimento profissional, é proveitoso assistir Band of Brothers e retirar dali ensinamentos. A unidade relatada em questão, o 506º Regimento de Infantaria Pára-Quedista, da 101ª Divisão Aerotransportada, foi uma das mais condecoradas durante a Segunda Guerra Mundial. Isto se deveu sobretudo ao espírito de liderança do seu comandante, o Major Winters; um homem altamente capacitado que nutria por seus homens um enorme respeito e zelo, e que sabia extrair deles o melhor sem sacrificar inutilmente suas vidas. Antes, durante a fase de treinamento, a unidade fora comandada por um Capitão estilo chefe imbecil: Sobel. E aí percebe-se a diferença de estilos entre um e outro oficial. Vale a pena ver o filme e entender que liderança é coisa para poucos e que trabalho em equipe faz a diferença. Porque na guerra (seja qual for ela: a real ou a que acontece, por exemplo, no trabalho) alguns dominam o medo e outros são por ele dominados. Os que dominam são os melhores; os líderes que nos faltam no dia-a-dia, capazes de nos motivar a pensar e a agir como equipe.
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ResponderExcluirMeu amigo,
ResponderExcluirgostei muito da sua lista de filmes sobre guerra e pode ter certeza que vou procurá-los para assistir. Assim como você, sou louco por filmes desse tipo e quando assisti o Band Of Brother (por sinal foi sua indicação) eu fiquei maluco, alucinado e não dormi durante uma noite. Foram dois dias frenéticos em frente a tv. Mas valou a pena.
Comparando o filme com as empresas, eu só lamento. A grande maioria sairá baleada rumo a decadência. Milhões de empresas não estão preparadas para lutar, entregam armas defasadas aos seus soldados e no final querem a vitória. Amargarão o azedo da derrota. Os chefes apenas ordenam e não entram em combate, querem sugar o melhor de você sem lhe dar nada em troca. Salários medíocres, condições escravas. Eu ainda estou vivo, pois com um bando de irmãos ao meu lado eu me torno cada dia mais forte. Força sempre!!! Sarava.